Um todo indivisível


Há um lugar em pleno espaço. Acessado vez ou outra pela nossa percepção.

É um lugar perdido como brumas leves e sopros suaves, tecido astral que nos cerca.

Entre luzes que captam a nossa atenção…

captam nossa atenção

captar em plena ação.


Muito diferente do sonho diário que vez ou outra lembramos essa replica realística perdura independente de nosso cuidado, mas muito atenta ao nosso humor. Como um quadro negro espectral ela sibila diante de nós, imperceptível em pleno perceber. Captá-la não é um esforço, é um deixar-se levar. Aceitar portanto o que vem está muito além do nosso hábito e pra muitos implica em uma tragédia ter de sacrificar algo. Por ser tão translúcida escapa as mãos estafadas de realismo estático… corolário que dignifica o ato… torna-a sagrada, sem ser sacra, viva.

Dois momentos bem distintos estão sendo tratados aqui. Um é o que teimamos em dividir e chamar realidade, e outro já dividido que chamamos astral. Implica dizer que para caso de estudo essa divisão é sensata. Mas partir para um ato verdadeiro e manter isso é não atravessar o véu enquanto encara… é, em termos bem cristãos, manter a trava.


Esses dois momentos estão em eterna relação. Um é escopo do outro e o resultado final carimba o espaço tempo. Como nos movimentamos em meio a isso é o que acaba por diferenciar os esforços e seus respectivos personagens: um é mago, um é shamã… indefinidamente aplicamos características reais a aspectos de nós que poucos são aqueles capazes de encarar em seu meio ainda tão fundamentado em teoremas. E meio que assustados permitimos os clarões que vem, passarem estranhamente despercebidos. Em outras palavras, respiramos vida, mas sentimos máquina queimando máquina queimando máquina. E nosso suor é só símbolo, perdido sem cheiro.


Mas como não pensar no ofegante e excitado iniciante, particularmente muito esotérico, muitas vezes tão místico, tantas vezes tão determinado a anti dogmático, mas todos perdidos em pleno furor de imaginação, que de tanta faz escapar ainda mais um todo maior que não é teórico, é feito de sangue e pensamento o tempo inteiro. E esses dois aspectos, que teimam em falar que implicam em uma realidade maior ainda permanece obscura como simples sombras uma da outra… e ao sonhar parece mais fácil de se achar que se envolve, mas o sonho é o momento triste da consciência que nunca vive os dois como um… pra ser uno no momento três, eternamente um. E quando se implica o ser pra de fato ser… não se entende a significância da vivência.


Temos que admitir. Mesmo um dia quando perceberem que tudo o que envolve o “humano” vale ser encarado com respeito e o devido crédito, ainda assim, uns escolherão a espada, e outros a varinha. Não haverá nunca hegemonia de idéia, e é justamente essa pluralidade que torna tudo tão belo. É quando me permito a encarar tudo como uma grande massa de energia a ferver na criação de nós o tempo todo, e quando penso em inteligência não vejo um homem, e sim um universo digno de permitir-se eternamente inteligente, eternamente criativo. Quando falo em inteligência me refiro à vida.


Consciência é um estado de perceber, mas nada impede que cada estar permita-se ser consciência ao seu modo. É como escutar alguém falar que dialogou com uma árvore, coisa impraticável se o mesmo usar sua boca. Mas se este permitir a árvore ser de fato árvore nele… o diálogo é, simplesmente.


E o mérito por alcançar essa realidade maior é perceber que ela é tão quanto tudo o tempo todo. Não somos especiais por isso… somos sensatos.


Sendo assim um ato é duplo o tempo em que encararmos essa realidade como dividida, ou como só sólida. Se não aceitarmos esse realismo do pensamento, esse pensamento nunca acontecerá. Enquanto encararmos a criatividade tão efusiva da infância como elo perdido da nossa estrada para morte, já estaremos mortos antes do corpo. E enquanto nos perdermos na dicotomia das palavras o que sentimos sempre parecerá de um terceiro… não é nosso. Sendo assim quando rir sinta o calor no músculo tanto quanto nas imagens que permearem o todo que és… O riso é do palhaço tanto quanto do espectador, só que o palhaço ri antecipado, dos rostos tolos envolvidos em seu ato compassado, e estranhamente ele continua rindo do mesmo modo.


Se o que impregna nosso pensamento é dor e pesar, seremos densos como chumbo.

Se é amor, seremos…


Mas mesmo para o amor, é necessário que seja tanto lá como cá… magia. Que seja um o tempo inteiro… pois o tão aclamado sobrenatural não existe… E ninguém é menos nobre por viver menos em um dos lados dessa tal realidade maior, eu diria sim que este é um alguém triste.


Quando olhar seja o olhar


Quando beber água seja água sendo bebida…


Esse esforço é a agonia da “mente enjaulada” no plano cartesiano ao buscar a fuga… ao tentar ser pleno como é de direito. E a vida só não amarga as expectativas, por que se esbalda no prazer de ser ela mesmo quando se é morte. E isso nunca acaba, por que o medo do fim é a mordaça do livre, se este aceitá-la.


Ainda assim muitas vezes concordo quando falam que depois da morte não há nada… se em vida não se é em momento algum tornar-se-á algo que nunca fora. E riu quando vejo engrenagens a moverem-se plenas no mar de energia da vida… a consumirem e reciclarem tudo o que não se tem mais utilidade. E muitos serão os corpos de poucos, que estarão cônscios dessa infinitude.


Djaysel Pessôa

S.O.Q.C.

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