Onryou, Médiuns e Ringu, ou “O Chamado” em japonês

Atualizado: 1 de abr.

Foi com o filme “O Chamado” que o ocidente abriu as portas para os filmes de assombração orientais. Infelizmente, abriram as portas para as péssimas refilmagens com atores norte-americanos em cenários orientais e personagens de nomes japoneses. Digo ainda filmes de “assombração” porque vejo muitas pessoas reclamarem desse tipo de gênero, alegando que não são assustadores o suficiente. É óbvio que não são – para os ocidentais.


Enfim, deixando as críticas cinematográficas (temporariamente) de lado, vamos ao que interessa.

Ringu é baseado na obra do escritor japonês Suzuki Koji, dividida em quatro livros: Ringu (1991), Rasen (1995), Loop (1998) e The Birthday (1999)


Evidentemente, o escritor dos livros baseou-se na história dessas duas mulheres para compor suas personagens, dando inclusive seus nomes a elas (Sadako – Sadako e Chizuko – Shizuko).

A alma humana é chamada de “reikon”, a junção dos elementos “rei” e “kon”, ou seja, essência espiritual e alma, respectivamente. Especificamente, “ichirei shikon”, ou “um espírito e quatro almas”. Isso porque a kon dos humanos é composta de quatro partes, quais sejam, “aramitama”, ou a coragem, “nigimitama”, ou a amizade, “sachimitama”, ou o amor, e “kushimitama”, ou a sabedoria.

Quando um ser humano morre, seu espírito “rei” e duas das quatro almas, “sachimitama” e “kushimitama”, vão para o outro mundo, enquanto que a “aramitama” e a “nigimitama” permanecem nesse plano. Como a “aramitama” está associada ao corpo físico, ela acabará por se desintegrar, restando apenas a “nigimitama”, que também irá desaparecer, mas num processo que levará um pouco mais de tempo.

Assim, se houver um desequilíbrio na reikon de uma pessoa, ou seja, entre as suas “quatro almas” (geralmente a “nigimitama”, que quando em desequilíbrio, está ligada ao ódio, ao egoísmo e ao apego), ela pode vir a se tornar um fantasma, um Yuurei. Assim, como é a “nigimitama” que permanece por maior tempo nesse plano, ela “segura” o restante das almas, impedindo que o espírito da pessoa parta para o outro mundo. Por outro lado, se ela vier a desencarnar em um momento de grande ódio e/ou violência, ela se torna um Onryou, um espírito vingativo.

Isso ocorre devido ao desequilíbrio da aramitama no momento da morte (geralmente brusca e violenta, tomada pelo ódio), que torna o espírito igualmente violento. Além disso, como a aramitama naturalmente sofre um processo de desintegração, esse tipo de espírito também costuma vampirizar as suas vítimas, de maneira a prolongar a sua “sobrevida” neste plano, e nada melhor do que a adrenalina liberada durante uma sessão de filme de terror para garantir a energia necessária para tal intento.

Apesar da crítica sobre ficção científica, a explicação original para as mortes – que vocês só descobrem em Rasen – não deixa de ser interessante. Quem não quiser spoilers, que não leia o próximo parágrafo.

Sadako (novamente, a do filme) plasma no vídeo as suas imagens mentais e acopla a ele um vírus por ela criado, que mata em sete dias, a menos que a pessoa dê um jeito de transmiti-lo, ou seja, fazendo com que outra pessoa assista ao vídeo e seja infectada, escrevendo livros e fazendo filmes sobre sua história para disseminá-lo, ou engravidando mulheres para que elas dêem a luz a clones seus. Seu objetivo? Dominar o mundo, que dúvida!

#MagiaOriental

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