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Meu Semelhante

Um poema para se refletir sobre nossa imagem e semelhança…

Eu ando pelo mundo dentre olhares e expressões Promessas de curas e maldições Acordos de paz que não podem seguir adiante Pois os homens em suas guerras Por riquezas ou santificações Já não o vêem mais, meu semelhante

Nem a vida que lhes oferta a fronte Nem os peixes nem as aves nem as vacas sagradas Nada que nade, caminhe ou voe pelo horizonte Nada, apenas esse fétido ouro negro A escravizar aqueles que lhe buscam lá fora Pois que são como cascas vazias, meu semelhante


Quem dera pudessem olhar o céu noturno E ver sua luz trazendo as boas novas De épocas em que não participamos Não como homens, mas como átomos Como luz a cruzar o infinito Quem dera vissem suas estrelas Como quem vê poesia em quadro negro Como quem se alegra, mas guarda segredo

Que nem todos estão preparados para enxergar O que vêem a olho nu Preferem se iludir ou se entreter com essas sombras Essas cascas de sentimento Esses manuais de verdades absolutas Esses códigos de ciência infalível E promessas e barganhas de um mundo melhor Um céu que está sempre lá fora a ser alcançado Nunca aqui dentro, a ser amado

Eu quero conhecer só a ti, meu semelhante Que estamos todos conectados: Pela biologia, a vida. Pela química, aos planetas. Pelos átomos, as estrelas. Mas é tão somente pelo agitar da mente E pelas lentes claras do pensamento Que percebemos que aqui sempre estivemos Que sempre fomos semelhantes Pois nunca um poderia estar fora do outro Embora sua substância nos permeie a todos Como o perfume dos amantes

Todo o turbilhão de partículas do cosmos E todas as galáxias e estrelas E todas as eras geológicas E todas as poesias, e todas as equações E todos os olhares e expressões Todo amor e toda a gratidão para ti A substância que não pode criar a si mesma Mas que tudo o mais criou Eu quero desvendar todos os mistérios e enigmas Todos os códigos que nos ocultou Dentre essa brisa de poeira vacilante Eu quero conhecer só a ti, meu semelhante

raph’10

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