Lançamento: Tao Te Ching

Atualizado: 21 de abr.

Tao Te Ching

Nesta tradução exclusiva do Tao Te Ching a partir da tradução clássica de James Legge para o inglês, Rafael Arrais (poeta, escritor, editor e autor do blog Textos para Reflexão) usa do auxílio precioso das interpretações do ocultista britânico Aleister Crowley e do filósofo brasileiro Murillo Nunes de Azevedo para compor uma visão moderna da antiga sabedoria de Lao Tse. Não se trata de uma tradução para os que adoram ao Tao como numa religião organizada, mas antes para os que o amam e desejam seguir no Caminho Perfeito; ou ainda, para aqueles que nunca ouviram falar dele…

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Abaixo, segue um trecho do prefácio do livro:

O Caminho Perfeito

O Caminho que pode ser trilhado não é o Tao Eterno. O nome não é o mesmo que Aquilo que foi nomeado.

Os primeiros versos do Tao Te Ching podem soar tão enigmáticos como quaisquer outros ao longo da obra. Tal enigma, entretanto, é apenas intelectual. Com um pouco de reflexão, ele começa a se dissipar como a névoa soprada pelo vento. É precisamente nesta “dissipação” que se inicia o Caminho Perfeito.

Este livro, afinal, é somente o seu esboço. Conforme disse Joseph Campbell em O poder do mito: “As melhores coisas não podem ser ditas por que transcendem o pensamento. As coisas um pouco piores são mal compreendidas, porque são os pensamentos que supostamente se referem àquilo a respeito de que não se pode pensar. Logo abaixo dessas, vêm as coisas das quais falamos”. Eis porque este livro é somente um esboço. Eis porque o nome não é o mesmo que Aquilo que foi nomeado. Eis porque de nada adianta ler o Tao Te Ching apenas com o intelecto, é preciso senti-lo com a alma, é preciso refletir sobre suas palavras e descasca-las, alcançando o sentimento que há por detrás – o sentimento que está, afinal, em nosso próprio ser.

As palavras deste livro são apenas as catalisadoras do Caminho. Elas apontam uma direção e uma via antes desconhecida. Cabe somente a nós iniciar o passo.

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Todas as coisas nascem do Ser e possuem um nome; mas o Ser nasce do que não tem nome.

O “Tao” é, da mesma forma, apenas um nome que foi dado ao inominável. Não é através de um nome que se conhece alguém, mas através dos olhos. Não é através de um nome que se conhece tudo o que há, o que foi e o que será, mas através da reflexão da alma.

A filosofia do Tao Te Ching é ancestral de muitos outros pensadores: Parmênides (o filósofo pré-socrático), Epicteto (e os demais estoicos), Plotino (e os neoplatônicos) e até mesmo Benedito Espinosa, que chamou ao Tao de “a substância que não poderia haver criado a si mesma, e que gerou tudo o que há”. Ora, como podem tantos pensadores em épocas distantes e regiões distintas do planeta terem chegado a conclusões tão parecidas com a deste livro, ainda que provavelmente nunca o tenham lido? Simples – como um dia me disse um amigo: “isto tudo está na engenharia da realidade”.

No Ocidente, a divindade geralmente é vista como um ser pessoal, criador e fonte de tudo o que existe. Já no Oriente, a divindade é vista como impessoal e a criação, como algo imanente – ela não é somente a fonte, como o veículo das energias que formam o mundo. Isto significa que mesmo uma pedra ou um galho partido estão preenchidos pelo Tao. Para os místicos taoistas, o Tao não somente gerou tudo, como está em tudo, inclusive neste momento. Reflita sobre isso antes de prosseguir no Caminho.

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Aquele que se adaptou ao Caminho é festejado pelos demais caminhantes. Aquele que manifesta o Caminho é festejado pelos demais caminhantes. Aquele que falha e tropeça no Caminho é, da mesma forma, festejado pelos demais caminhantes… Mas aquele que tenta seguir o Caminho sem convicção não sabe ao certo quantos amigos existem a sua espera.

Não se assuste com todo o “misticismo” que atribuem a este livro. Não se sinta obrigado a virar um “sábio” somente por que o tenha lido. De fato, não pretenda compreender o Tao Te Ching, nem pretenda ser um grande conhecedor do Tao. Tudo isto são rótulos. Em todo caso, nenhum mestre do Tao chamaria a si mesmo de “mestre”.

O Caminho Perfeito não exige fidelidade estrita, não agracia com bênção alguma seus seguidores, nem muito menos pune aqueles que se afastam dele. O Caminho é como a Natureza, a única coisa que odeia é a estagnação; no entanto, ama todo o mundo e todos os seres, sem nunca anunciar seu nome, sem exigir reverência alguma, sem condenar nem exaltar.

Aqueles que seguem no Caminho vão descobrindo cada vez mais amigos pela via; passo a passo, um pensamento de cada vez. Vão melhorando a vizinhança, pois este é o sentido natural de todos os seres – ir um pouco mais a frente hoje do que fora ontem, e amanhã do que hoje.

E se você pensa já ter ouvido antes algo do que foi dito aqui, quem sabe noutro livro sagrado, ou da boca de um adepto de outra doutrina, não se espante que isto é, da mesma forma, muito natural. A “engenharia da realidade” nada mais é, afinal, do que a própria Alma…

Aquele que conhece os homens possui um grande intelecto. Aquele que conhece a si mesmo é possuído por uma grande iluminação.

Rafael Arrais, 2013 (os trechos em itálico foram traduzidos do Tao Te Ching)

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» Veja também: sobre a tradução do Tao Te Ching

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