Kabbalah – Os 4 Mundos da Criação

Atualizado: 30 de abr.


Quando nas diversas tradições se fala de deuses, nomes divinos, arcanjos e anjos, em realidade se está fazendo referência a determinadas energias intermediárias que, de modo escalonado, situam-se entre a Unidade Suprema, verdadeiramente imanifestada, e a variedade indefinida de suas manifestações fenomênicas. Na Cabala, estas energias, ou atributos divinos como já vimos, são as sefiroth, cujo desenvolvimento constitui o que se costuma chamar de “Doutrina das Emanações”. Como sabemos, as sefiroth percorrem a Árvore da Vida de cima para baixo, do mais sutil ao mais denso e grosseiro, conformando a própria estrutura do Cosmo, dividida em quatro planos ou níveis hierarquizados, que o homem pode vivenciar em si mesmo através de sua realidade física, psicológica e espiritual. Estes quatro planos começam com o mais alto, Olam Ha Atsiluth, que significa Mundo das Emanações, e a ele pertencem as sefiroth Kether (1), Hokhmah (2) e Binah (3). Esta triunidade de princípios compreende às realidades ontológicas, referidas ao conhecimento do Ser Universal, precedendo, portanto, à manifestação e progressiva solidificação de todas as coisas. As energias mais invisíveis e profundas emanam desta tríade suprema, que começa a se manifestar a partir do Mundo da Criação, Olam Ha Beriyah, constituído pelas sefiroth Hesed (4), Gueburah (5) e Tifereth (6). Como seu próprio nome indica, neste Mundo são geradas as primeiras formas criacionais em seu aspecto mais sutil e informal, manifestadas através do Mundo das Formações, Olam Ha Yetsirah, constituído por sua vez pelas sefiroth Netsah (7), Hod (8) e Yesod (9). Esse processo de emanação finaliza no Mundo da Concreção Material, Olam Ha Asiyah, constituído só pela sefirah Malkhuth (10), que de toda a Árvore é a única visível e perceptível aos sentidos, sendo a partir dela que começa nosso processo ascendente de retorno à Unidade.

Na continuação, vê-se a Árvore Sefirótica dividida nos quatro mundos cabalísticos, relacionados igualmente com os elementos alquímicos recentemente tratados:

arbplans

Estes quatro mundos, planos ou níveis, podem igualmente ser considerados como três, já que Beriyah (Mundo ou Plano da Criação) e Yetsirah (Mundo ou Plano das Formações) podem ser tomados como um só. Beriyah corresponderia ao que a Antigüidade denominou “Águas Superiores”, e Yetsirah às “Águas Inferiores”, que estão separadas –e unidas– pela “superfície das águas”, tal e qual aparece no gráfico. As primeiras se vinculam com o elemento ar e são consideradas como constitutivas da abóbada celeste, e as segundas com o elemento água, conformando os rios e os oceanos, unidas ambas na linha do horizonte. Estes dois planos podem ser tomados como um único nível e correspondem à intermediação entre o primeiro (Atsiluth) e o último (Asiyah). É neles onde se realiza todo o trabalho interno e hermético. Por isso mesmo, estas seis sefiroth chamadas em Cabala de “construção cósmica”, correspondem-se no ser humano com seu psiquismo superior (Beriyah) e o inferior (Yetsirah).

Desta forma, deve se ter presente que em cada plano há uma Árvore Sefirótica completa: uma no mundo de Asiyah, outra no de Yetsirah, outra mais em Beriyah, e finalmente outra no de Atsiluth. Nossa visão da Árvore Cabalística adquire então tridimensionalidade, ou seja: podemos visualizá-la (sem que por isso perca sua unidade essencial) em quatro níveis de leitura, que estão em todas as coisas, inclusive em nós mesmos. Também os textos sagrados e revelados de todas as tradições admitem ser lidos desta maneira. Ditos níveis são, pois, graus hierarquizados de conhecimento. Por agora, trabalharemos com a Árvore no nível de Asiyah, ou seja, da sefirah Malkhuth, o plano físico e da concreção material, que é o do homem condicionado por suas identificações egóticas e de seus sentidos, e daí, invocando Kether, ascenderemos gradualmente por distintos mundos, do mais grosseiro ao mais sutil, da casca ao núcleo, o que nos permitirá conhecer outros estados de nossa consciência, que desta maneira vai se universalizando, até sua plena identificação com o Ser, o Adam Kadmon ou Adão Primordial.

Nota: É de rigor, e como exercício importante, aprender e memorizar estes nomes em hebraico e português, bem como a disposição das sefiroth que constituem a Árvore. Desenhe este diagrama várias vezes sobre o papel e trate de reter uma imagem clara do mesmo.

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