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HermetiCAOS — Um presente

Atualizado: 20 de mar. de 2022


Minha inspiração para escrever isso aqui vem da leitura do texto que o grande amigo Iago escreveu em seu blog, o Rota 32. Lá ele analisa o futuro da Magia, segundo sua própria jornada e as coisas com as quais foi lidando ao longo do caminho. Inspirado por suas palavras, decidi, de forma semelhante, expor minha maneira de ver a Magia e minha própria análise quanto à questão. Diferentemente do Iago, a Magia do Caos não foi meu primeiro contato com o mundo do Ocultismo, mas, assim como muitas outras pessoas com quem já discuti o assunto, minha porta de entrada foi a Wicca. Existe aí já uma diferença fundamental, uma vez que a Wicca, conforme concebida por Gerald Gardner, era uma filhotinha da boa e velha Magia Cerimonial a la Golden Dawn, com as tradições e mitologias do norte da Europa, especialmente a Celta. Na prática, o resultado disso era já um conhecimento, mesmo que superficial, dos elementos básicos das tradições ocidentais de Magia. Um certo cerimonialismo era exigido, mesmo sem a devida compreensão de seu propósito — que cumpre, dentro daquele paradigma, uma função fundamental. Outra grande importância desse meu começo de caminhada, foi o contato que acabei tendo com importantes ferramentas ocultistas, quando procurei por um aprofundamento que a Wicca não dava. Assim, conheci a Magia do Caos quando já tinha uma boa base em Tarot e Cabala.

Hermetismo + Magia do Caos A Magia do Caos me pegou no contrapé ao afirmar que toda aquela parafernália era desnecessária e que todas as regras cerimoniais ou ritualísticas da Magia eram arbitrárias. É o tal “pragmatismo” com foco em técnicas e resultados. Logo me enfiei em grupos de discussão de Magia do Caos para trocar ideias, compartilhar experiências e comparar resultados. Com exceção talvez das lideranças de alguns desses grupos, percebi que, no geral, a Magia do Caos estimula a preguiça, justificada pelo lema “Nada é Verdadeiro, Tudo é Permitido”. Ora, se nada é verdadeiro, por que eu preciso estudar? Se tudo é permitido, qualquer coisa que eu fizer está valendo (inclusive não fazer nada). E é com muita tristeza que eu percebia que o foco em “técnicas e resultados” se dava em detrimento do SENTIDO da Magia, ou seja, para que praticá-la, a que direção ela nos leva, que caminho percorrer por ela e qual o nosso destino final nesse caminho. Assim, falando de maneira geral, muita atenção é dada às páginas do Liber Null (que muitos consideram o livro fundador da Magia do Caos) que tratam de técnicas e ritos, e pouca ou nenhuma é dada àquelas que se referem à Grande Obra, à invocação do Augoeides, à busca pelo profundo autoconhecimento e superação da ilusão do eu. Ao participar de um ritual com um grupo de práticas de Magia Enochiana, tive a curiosidade de perguntá-los o porquê de estudar essa escola, especificamente. A resposta me surpreendeu e intrigou: “porque é difícil”. Segundo eles, o trabalho intelectual necessário para entender a Magia Enochiana exige um investimento de energia tão grande que os efeitos experimentados e a transformação sofrida são significativos. Comecei a entender por que, em paralelo aos estudos e práticas em Magia do Caos, retomei, há pelo menos uma década, as investigações em Tarot e Cabala, além dos estudos em Psicologia Junguiana e em Filosofia Oculta. E o que eu encontrei, nas palavras de Jung, foi que: O instinto humano sabe que toda grande verdade é simples e por isso a pessoa fraca de instintos imagina que a grande verdade está em todas as simplificações baratas e superficiais, ou, devido às suas decepções, cai no erro oposto, achando que a grande verdade tem de ser necessariamente escura e complicada (O Segredo da Flor de Ouro). Magia, por sua própria origem e definição, é a busca por Sabedoria. Desde a Antiguidade, o Ocidente sabe que a busca por Sabedoria é o caminho rumo ao conhecimento de si mesmo. Essa busca não se dá sem disciplina, sem foco e sem um método adequado e eficaz. Sem o devido treino, não há conquista de coisa alguma. A Magia do Caos abriu as portas para a postura preguiçosa e onanista que se afunda cada vez mais na ilusão que cria sobre o “eu”, como alguém que se farta em todo tipo de droga, acreditando aproveitar o melhor da vida.


Os textos e ritos antigos estão ultrapassados, porque não acompanham as transformações da sociedade. Isso é óbvio. Poucas pessoas no mundo têm a possibilidade material de dedicar à Magia o tempo e o dinheiro (no caso dos apetrechos e substâncias exigidos aqui e ali) necessários à consecução de alguns rituais consagrados de tempos remotos. Por outro lado, acreditar que se possam realizar Grandes Feitos sem o devido domínio de si mesmo é estupidamente ingênuo.


Uma vez que se compreenda a essência da Prática Mágica, seus porquês e sua verdadeira busca, é possível conciliar os insights da Antiguidade com a fluidez da contemporaneidade. E se o Universo é Mental, como nos ensina o Caibalion, para a mente estar afiada é necessário o exercício constante, assim como o é com o corpo. Sobre essa questão da relação entre mente e corpo, voltarei em um texto futuro. Vivemos o momento da Temperança, o momento de conseguir o equilíbrio entre a Tradição e a Inovação. Uma das principais chaves da Magia é a capacidade de acreditarmos em seu poder; em nosso poder. Um dos maiores inimigos do Mago é a incapacidade de se inflamar, de se excitar com o trabalho mágico, ou seja, de acreditar realmente no que está fazendo; sem essa crença verdadeira e genuína, não há efeito na Magia. A complexidade da Tradição Hermética nos leva ao aprofundamento, ao estudo dedicado e, consequentemente, à compreensão das associações simbólicas necessárias ao intelecto moderno para que a mente opere na frequência desejada. A fluidez e a inovação do Caos adapta a parafernália ritualística aos dias atuais, tornando-a acessível, mas não menos trabalhosa. Daqui para a frente postarei neste canal a forma como vejo essa união entre Hermetismo e Magia do Caos, de maneira a apresentar não um futuro da Magia, mas o que podemos fazer com ela agora. O presente é nosso.


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