Energia OD


Certo dia impliquei. Estava cansado de como as coisas pareciam não estar funcionando devidamente. Em minha mente visualizei que iria aonde quer que fosse mas entraria em contato com meus “guias” ou seja lá qual nome se dá a eles. Iria entrar no ambiente e com o médium ou a mãe de santo, que incorporasse tais entidades, falaria: “Vamos ser sinceros! Temos um problema. Ao que tudo indica não existe uma relação muito positiva entre nós. Precisamos deixar as coisas limpas para que tal relação deixe de ser um problema e seja de fato útil para as duas partes.”. Estava então decidido. Aquela seria uma conversa esclarecedora.


Um dia se passou e encontrei uma pessoa que eu sabia ser frequentadora de um centro de umbanda aqui da cidade. Perguntei os dias que a mãe de santo trabalhava atendendo e ele me disse que procurasse somente não ir na segunda-feira. Ficou então agora mais do que decidido, tinha data marcada para a realização de minha visualização. Voltei ao trabalho, não pensei mais nisso. Nos dois dias seguintes nada fiz pra tornar isso realidade. No entanto não precisei. Praticamente um dia e meio depois tive um sonho, este sonho:

Estava num lugar escuro e eu me via em terceira pessoa. Havia um turbilhão de energia azulada passando ao meu lado. Dentro deste turbilhão dava para ver objetos, pessoas, coisas, pensamentos, ideias, tudo passando freneticamente acompanhando o transladar da massa energética ao meu lado. Foi quando uma voz, não sei bem d’aonde surge falando: “Isso é energia OD!” Eu olhava para o turbilhão ao meu lado e tentava visualizar as letras ‘O’, ‘D’ juntas, fazendo um círculo torto. Era quando eu dizia: “Você quer dizer energia ódica?!”.

Acordei! Era uma manhã como outra qualquer. Meu corpo recobrava os sentidos e em instantes me veio à mente o desenho do O, D juntos como no sonho. Forcei um pouco e até cheguei a pensar que se referia a um amigo meu que escreve seu nome com tais letras, mas quando consegui recordar do nome ódico a coisa toda mudou de perspectiva. Fiquei intrigado. O que deveria ser energia ódica? Existe isso? Levantei de imediato e corri para ligar o notebook. Depois de três, quatro, cinco pesquisas encontrei o que buscava em quatro sites em alemão e um em inglês. Para ser mais rápido traduzi mecanicamente o site em inglês já que o em alemão ficava incompreensível e me lancei a ler. Após algum tempo de leitura tive a percepção da resposta mais produtiva de toda minha vida. Foi a primeira vez que não havia dúvida alguma. Eu tinha sido respondido diretamente, sobre algo que me fez refletir muito em minha vida inteira. Em tal momento tudo ficou claro pra mim, e todas minhas incursões acerca do espiritual e o mundo físico, sobre a energia como um todo tornara-se devidamente palpável. Para ser bem simplificado contarei o importante agora:


Seu pai era um bibliotecário do Tribunal e por intermédio disso tinha acesso a livros infindáveis. Chegou a ler sobre Mesmer e tornou-se por assim dizer um defensor do mesmo, alegando que Mesmer não utilizava de sugestões em seus experimentos. Ou pelo menos que isso não era o fator real dos fenômenos. Havia algo, só que não existia aparelhos para definir esse algo, em que Mesmer se apoiou para desenvolver sua bateria, objeto ao que me pareceu ser o mais famoso. Reichenbach mergulhou de cabeça no estudo do sonambulismo, medos noturnos, câimbras (no texto aparece como tétano muscular). Tudo isso era inevitavelmente mal visto por todos e existiam rituais de exorcismo dos mais variados para sanar o que não se sanava. A igreja em nome de Deus até já tinha queimado na fogueira algumas famílias alegando ser obra do demônio. As pessoas se escondiam quando viam que algum membro da família apresentavam os sintomas e viviam no silêncio e enclausurados temendo o pior.

O barão Reichenbach, pra ser sucinto, reuniu todas as informações possíveis sobre a maioria dos casos que obtivera algum dado. Fez uma pesquisa extensa ao que é informado no site. Reuniu o máximo de informações possíveis acerca de todos os casos pela Europa. Enquanto isso reunia o único fator que poderia na época demonstrar algo de fato em relação aos fenômenos. Ele procurou pessoas sensitivas e sensíveis o suficiente para que pudesse determinar quando e porque tais fenômenos ocorriam. Esse fator fez com que seus estudos perdessem o crédito jogando-o no esquecimento. Esses sensitivos foram escolhidos por intermédio de testes variados que determinavam que eles não estavam simplesmente mentindo sobre. Tais testes e o próprio processo do estudo dos casos levou a separar estes sensitivos entre os maiores e os menores, determinando exatamente quem era quem nesse meio.

Existiam nesses casos fatores em comum: não havia distinção de gênero, apesar da ciência da época colocar o gênero feminino como o mais susceptível à histerias e coisas do tipo. Não havia uma idade específica para o ocorrer do fenômeno, crianças as vezes só precisavam aprender a andar para que já se apresentasse o problema, o que retirou do caso o fator emocional e situações traumáticas como a razão de tais fenômenos. Ao longo do processo percebeu que não havia uma razão geográfica para tal, e nem a eletricidade ou o magnetismo causavam tais reações nos indivíduos, apesar de ter percebido que bastões de imã causavam algum tipo de reações nos sensitivos, o mesmo magnetismo geográfico nada fazia. Havia o fator de que em períodos de lua cheia o fenômeno tinha o seu pico de expressão. Levando muitos sonâmbulos a andarem em busca da lua, por beiradas dos prédios ou pelo meio das vilas com os braços levantados, bem ao clichê que já imaginamos quando pensamos nisso. Por fim o barão fez literalmente uma análise geral e por fim percebeu que, retirando todos os fatores duvidosos, a lua era de algum modo a vilã da história.

Isso levou ele a fazer experimentos com os sensitivos em quartos totalmente escuros. Cada qual ficava um tempo em silêncio e em um dado momento a luz da lua era incindida na face ou em outra parte do corpo causando reações variadas. Havia algo ali e ele estava começando a ter uma dimensão do caso. Foi quando brilhantemente teve a ideia de por intermédio de prismas incindir os espectros específicos sobre os indivíduos sensitivos. Cada cor começou a demonstrar efeitos específicos em tais indivíduos, que variavam de convulsões à dores e enjoos. Isso levou o mesmo a testar a luz do sol e por conseguinte perceber características distintas em cada caso. Cada sensitivo demonstrava (sem saber bem o que lhe ocorria) os mesmos efeitos para cada espectro da luz que incidia em seu corpo. Foi assim que o barão teve a ideia de saber até que ponto essa energia era a luz ou algo além. Por intermédio de metais e minérios todo o tipo de experimentos foram feitos para determinar se a energia em questão se propagava melhor dependendo do ambiente em que se encontrava. Ele assim determinou exatamente quais metais e minérios se carregavam com tal energia com mais facilidade e conseguiu até mesmo determinar a velocidade de expansão da energia, algo em torno de 1,5 m/s se não me engano. Algo relativamente lento. A energia parecia se movimentar por acúmulo e em determinados casos demorava para esvair-se. Assim ele nomeou tal energia de od, energia ódica que ao meu ver é a mesma coisa do chi, ki, prana, energia plástica e por ai vai.

Ao longo de todo esse processo e dessa leitura eu tive meu momento de iluminação. Tive uma experiencia clara de como poderemos ter sim contato com nosso mundo espiritual, sem os modismos típicos ou falácias coloridas das práticas que considero new age. Tal acontecimento me demonstrou que por mais difícil que seja tal relação com esse espiritual, basta que sejamos sinceros conosco e atentos. Nada de absurdo fiz, a não ser desejar tal conversa veementemente, visualizando claramente toda a cena. Acabei mandando meu pedido às forças que me circundam sem me esforçar muito. E estes não demoraram em me responder, com algo que eu mesmo nem ao menos tinha pedido diretamente. Eles sabiam o que eu sabia ter dúvidas, e não precisei dizer uma palavra sequer para ser auxiliado devidamente.

Em nenhum momento ler sobre esta energia me fez aprender algo que eu já não soubesse. Tudo que li e estudei trabalha com tal energia, ou com tal compreensão do universo. O que aprendi com isso é que não há na vida uma ação sem seu resultado. E se o indivíduo se permitir ser verdadeiro nada será impossível.

Meu caso fora simples. Não romantizei em momento algum o acontecido. Fora exatamente como coloquei aqui. Trabalhar com tal universo espiritual requer que sejamos muito verdadeiros e sensatos. Não surtei com o caso, não alegrei-me mais do que o necessário. Era o que eu queria e assim foi. Obtive mais de uma resposta com uma única ação. A primeira era que eles estão sim atentos ao que me ocorre. A segunda é que tenho uma carga de conhecimento que basta trazer à superfície que obterei as respostas que preciso. Terceiro que minhas incursões filosóficas e práticas sobre energias e realidade estão sim caminhando para um canto real. Quarto que precisamos da simplicidade nos nossos atos. Cinco que a vida não deixa um ponto sem nó em momento algum.

Como falei, não aprendi nada que já não soubesse em relação à energias. Mas tal site me abriu um novo horizonte. Às vezes desejamos respostas claras e imediatas. E quando não recebemos achamos que fizemos algo errado ou que na verdade isso tudo é uma bobagem. O que tenho a dizer sobre isso é que o diálogo é construído mutualmente. E que as palavras por eles usadas não seguem nossas razões técnicas sobre isso.

Quando falo sobre espiritualidade necessariamente não coloco isso como algo estritamente fora de nós ou dentro de nós. Essa dimensão não é importante nesse caso. O que importa mesmo ao se pensar nisso é que há uma força e ponto. Se soubermos como ativar tal energia em nós ou ao nosso redor poderemos sim causar mudanças na nossa realidade por intermédio da nossa vontade. Mas precisamos antes de mais nada viver tal energia se quisermos ter domínio sobre ela. Não adianta perseguir isso tudo se não temos relação direta com as forças do nosso mundo. Essa energia, seja chamada de od ou de prana, está ai em relação constante conosco. Claro que sabemos bem que trabalhar com ela ou em favor dela às vezes nem é tão necessário para que algo ocorra. Visto que, ao que tudo indica, respiramos tal força sem nem ao menos nos darmos conta disso. Não importa se acredita ou não que uma árvore no meio da floresta faça som ou não… ela fará som sim, independentemente. Essa crença de que precisamos acreditar pra que tudo isso funcione é mais do que errônea… é estúpida. Pensar dessa forma é iludir-se, mas querer ser um mago e não abarcar o universo prático é tolice. É preciso elevar a varinha e determinar os pontos de apoio para que as operações tenham efeito. Mas acima de tudo é necessário não ter dúvidas alguma. Se porventura você quer fazer algo e nem ao menos sente as energias e duvida copiosamente por nunca ter tido um contato direto e claro, comece hoje mesmo a desenvolver tais percepções. É necessário tirar do plano da fantasia e trazer para o plano real se quiser ter um resultado factual da ação de sua vontade sob as forças. Energia não é algo que funcione por sugestão, apesar de algumas vezes a sugestão levar o indivíduo a fazer mover as energias. Ela tem uma lógica natural que precisamos respeitar e perceber. Não serão os livros que irão ensinar realmente. Será a prática concreta. É necessário sair do quarto e brandir sua espada sob o auspício lunar. É necessário sentar e meditar. É necessário duvidar das suas práticas para reconhecer o que de fato é real, palpável. É necessário criar e adaptar o conhecimento ao nosso universo particular se quiser fazer diferença. Eu não me utilizei de maneirismos tolos e medinhos medíocres ou formas cheias de bondade estúpida para fazer algo simples. Conversar. Eu usei de minhas próprias palavras, atuei com meu jeito particular e obtive resposta. Não precisei de termos pomposos ou de uma túnica ungida, eu até ri um pouco da cena que visualizei, ri por achar que ele riria quando me ouvisse falando daquele jeito. Provavelmente eu ri quando ele de fato riu ao perceber toda a minha construção pra dizer que queria um resultado real na nossa relação. Para dizer que estava cansado de achar que eles não estavam nem ai para com minha vida. Ledo engano.

Esse texto vai em nome destes que me circundam, sejam estes seres humanos desencarnados, sejam estes forças da natureza, sejam estes criaturas densas ou puras, sejam estes intelectos condensados, sejam estes reflexos da egrégora que me circunda, sejam estes meus próprios servidores, sejam estes animais que me acompanham, sejam estes pura e simplesmente eu mesmo replicado nos planos sutis… não importa. Importa que sei bem agora que se importam com o que penso e falo. E que o único empecilho fora eu mesmo o tempo inteiro.

Djaysel Pessôa

S.O.Q.C.

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leia também:

Od energy – Barão Reichenbach

Dr. Carl (Karl) Ludwig Freiherr von Reichenbach

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