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As Montanhas Sagradas do Japão

Em várias culturas as montanhas são objetos de adoração e de reverência. No Oriente em geral, e especialmente no Japão, elas são consideradas entradas para o Outro Mundo.


Misteriosas e imponentes, cujos cumes perfuram as nuvens e tocam os céus, as montanhas marcam a fronteira deste muito com o outro. Antes de chegarmos no Japão, nossa viagem começa na China, onde há nove montanhas sagradas, cinco montanhas taoístas e quatro montanhas budistas, as quais são locais de perigrinação.


Segundo a crença Taoísta, as montanhas são um canal, um meio intermediário de comunicação com os Imortais e com os poderes primitivos da Terra. Aqui, vale lembrar que o primeiro relato do Kuji In, uma das Técnicas do Kuji, é de um texto taoísta, o Neipian. Neste texto, os antigos sacerdotes taoístas, antes de subir uma montanha, executavam o Kuji In para afastar os maus espíritos.


Além disso, as montanhas da China são consideradas poderosos lugares de energia telúrica, onde corre o fluxo energético chamado de “Corrente do Dragão”, que atravessa a própria Terra e que são medidos pelo Feng Shui. No ocidente, esses fluxos são mais conhecidos como “Linhas de Ley”.


As crenças chinesas viajaram para o Japão com os monges e sacerdotes, vindo a se estabelecer através do Onmyoudou, de forte tradição Taoísta; do Shugendou, praticado pelos monges ascetas yamabushis; e das escolas do Budismo Esotérico Japonês (Shingon e Tendai), particularmente o Shingon, infiltrando-se posteriormente no xintoísmo.


A Escola Tendai foi fundada e estabelecida aos pés do Monte Hiei, e a Escola Shingon, aos pés do Monte Koya. Dentre elas, a Escola Shingon enfatizou mais o fato de que as montanhas eram o lugar ideal para as práticas religiosas e para a ascenção ao estado búdico. Durante o período Heian, disseminaram-se os templos budistas no Japão nas encostas das montanhas, e as perigrinações a estes locais tornaram-se mais frequentes.


Simultaneamente, no Japão, também co-existiam as práticas xamânicas do povo Ainu, um povo indígena japonês que veio do continente e que se estabeleceu em Hokkaido, povo este pouco conhecido por estas bandas ocidentais. Esse povo também reverenciava as montanhas, bem como toda a natureza.


Assim, a maioria das montanhas do Japão adquiriu um caráter sagrado, e são consideradas moradas dos kamis e de outras deidades, locais de fortes poderes espirituais, portais que fazem a ponte entre este mundo e o Outro, locais propícios para váras práticas meditativas, incluindo aquelas necessárias para transcender a consciência e realizar projeções astrais.


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