top of page

A Tristeza como Curto-Circuito da Alma

Atualizado: 30 de abr. de 2022

“Adormeci e sonhei que a vida era alegria; despertei e vi que a vida era serviço; servi e vi que o serviço era uma alegria.” – Rabindranath Tagore

A tristeza enquanto emoção pode ser entendida como um padrão vibratório dissonante do ser. Dada sua natureza subjetiva cada consciência vivencia esse padrão de forma diferente, daí a enorme dificuldade em conceitua-la de forma geral.

Diante da infinita multiplicidade da experiência humana, falo da perspectiva própria e como todo ponto de vista, esta é a vista de um único ponto.

Em um sistema elétrico normal a energia sai do gerador, passa por uma resistência (uma TV por exemplo) e volta para receptor. Quando esta energia vai e volta sem encontrar resistência, como no caso de fios desencapados se tocarem, temos um curto-circuito. Sem resistência a energia do gerador volta com a mesma intensidade, ocorre um aumento súbito de tensão no receptor do gerador, daí tem-se uma dissipação do calor, ou como a enxergamos, uma explosão.

Para fins de comparação, consideramos o ser humano como uma usina hidrelétrica, cuja geração de energia depende de fatores como o fluxo de água, a abertura das comportas, e a qualidade das bobinas. As águas são as energias externas que ingerimos como a respiração, ingestão de alimentos e impressões do meio à sua volta. Assim como a usina, o ser é incapaz de armazenar energia psíquica, aquilo que é produzido será utilizado imediatamente ou perdido.

Tal qual um gerador elétrico o ser humano produz energia para sua interação com o Universo, em um sistema perfeito, energia gasta sempre no sentido da evolução na espiral, do desenvolvimento e expansão da consciência, para dentro e para cima. No entanto, não raro, o ser humano direciona toda a sua energia para si mesmo, isolando-se do Universo , para baixo e para fora, e tal qual na corrente elétrica a ausência de resistência, faz com que a energia gerada pelo sistema aumente subitamente gerando uma dissipação intensa, a tristeza.

Daí se depreende que uma das formas de combater a tristeza, é remover o curto circuito do sistema, redirecionando esta energia para uma resistência interna ou externa. Assim como a operação em fios de alta tensão não é segura e nem tão pouco fácil, trabalhar com nossas próprias emoções é muito difícil e nos machucamos com facilidade.

No entanto, tal qual o gerador de uma usina ou a tomada de uma casa basta redirecionar a energia que o curto termina, mas o curto circuito assim como a tristeza pode causar danos leves ou grandes estragos, porém, sem encerrar sua causa fica praticamente impossível combater suas consequências.

Uma das formas de encerrar um curto circuito é redirecionarmos a energia para o trabalho interno, a auto observação ou a meditação por exemplo, “encapamos” os fios soltos, ordenando o funcionamento interno e o fluxo da energia. A concentração exigida pela práticas internas pode facilmente exaurir o praticante que esta começando, causando um curto circuito ainda maior, uma alternativa é a prática da caridade.

Ao direcionar a energia ao próximo, removemos o estado de “curto-circuito” da alma. Atividades filantrópicas são poderosas neste sentido, desde uma reza por quem quer que seja ou o que quer que seja assim como atividades físicas, manuais, gestos simples mas poderosos, através dos quais a energia “presa” é liberada, conectando a alma a uma rede sutil muito maior do que nós, uma teia harmônica de energia infinita que esta sempre disposta a ceder, e também a receber.

Sejamos como a lâmpada, que por meio da resistência alcança a iluminação para si ao mesmo tempo em que mostra o caminho para o próximo, sem curtos circuitos.

Chay !

P.S.: O Macrocosmo e o microcosmo tem seus próprios ciclos rítmicos e harmônicos. Que este seja o fim do sono, que esta seja uma nova Aurora !

2 visualizações0 comentário

Posts Relacionados

Ver tudo
bottom of page