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A Procissão do Fogaréu e o Chapéu do Capiroto

Atualizado: 13 de mar. de 2022

Olá crianças,

Um monte de gente me perguntou sobre a “KKK dos Power-Rangers” que está circulando pelo facebook esses dias. A Procissão do Fogaréu é uma tradicional procissão católica realizada anualmente na cidade de Goiás, na quarta-feira santa. A procissão encena a prisão de Jesus Cristo e tem início às 0:00 da quarta-feira santa, com a iluminação pública apagada e ao som de tambores, à porta da Igreja da Boa Morte, na praça principal da cidade. Os penitentes, vestidos em indumentária especial e representando soldados romanos, seguem então para a escadaria da Igreja de N. S. do Rosário, onde encontram a mesa da última ceia já dispersa. Em seguida, avançam na direção da Igreja de São Francisco de Paula, que simboliza o Monte das Oliveiras, onde se dará a prisão de Cristo.

Os chapéus pontudos, ou as máscaras pontudas que vemos (e que também originaram as máscaras da Klu Klux Klan) têm origem nos tradicionais “Chapéus de Bruxa” na idade Média, mas não apenas usado pelas bruxas, mas pelas Protestantes e demais mulheres de tradições escocesas. Como este tipo de chapéu era muito utilizado como uma “conexão com o espiritual/o que está acima” muitos o enxergavam como um “chapéu de magos” ou “chapéu de bruxos” (o nome correto é “Pilos”, ou o Chapéu de Ulisses). Também era usado pelos palhaços em suas zombarias e em danças e festividades associadas a Dionísio e Baco.


Com o advento da Igreja e da Inquisição, o Chapéu Pontudo passou a estar ligado diretamente à bruxaria e ao maléfico, e também estava ligado diretamente com a idéia de “Penitência” e de “Pecadores”, pela conexão que a Igreja fez com o chapéu de bruxa e com o “Pilos”. Então era comum em procissões os penitentes utilizarem os chapéus pontudos como representação de serem “pecadores”, e a máscara pontuda era uma forma de cobrir o rosto destas pessoas para não deixar o pecado como algo pessoal daquele sujeito, mas como a representação “do pecado” ou “dos pecadores”. O nome desta máscara? Capiroto. Daí temos a expressão “chapéu do capiroto” e, por associação um dos apelidos do Diabo.


A Procissão do Fogaréu foi introduzida em Goiás pelo padre espanhol Perestelo de Vasconcelos, em meados do século XVIII. A indumentária utilizada pelos penitentes caracteriza-se por uma túnica comprida e e por um longo capuz cônico e pontiagudo, guardando fortes semelhanças com as vestimentas que ainda hoje são comuns nas celebrações da semana santa na Espanha. Trata-se de um traje de origem medieval, o qual era costumeiramente utilizado por penitentes que assim podiam expiar seus pecados sem ter que revelar publicamente sua identidade.

O Chapéu de Burro (“Dunce hat”) vem desta mesma origem, mas com a intenção de humilhar o aluno, colocando-o de castigo com o chapéu de mago em um canto de modo a fazer a associação da imagem do Mago de chapéu pontudo com a estupidez.

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